terça-feira, 20 de março de 2018

DIA DO POETA (14 de Março, 2018) - Teresinka Pereira







Teresinka Pereira, poetisa e tradutora 
(Brasil - Estados Unidos) 




A PALAVRA RENASCE 
NA VOZ DE UM POETA 
QUE RESPIRA EMOÇÕES  
EM RITMO DE SABEDORIA.  



O POETA TEM ALMA 
DE ARTISTA E ANJO: 
O MUNDO E O CÉU 
ABENÇOAM SEU TEMPO 
INTEIRO EM UM SÓ DIA.  





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TERESINKA PEREIRA nasceu no Brasil e tem residência 
nos Estados Unidos desde a época da ditadura militar 
(década de 1960). 
É presidente da Associação Internacional de Escritores 
e Artistas (IWA), organização que reúne mais de 1.400 
membros nos cinco continentes. Escreve e publica poemas 
em português, espanhol e inglês.  
Poetisa e tradutora, divulga a poesia brasileira entre os 
povos dos países, por onde sempre viaja, em busca de 
novas experiências de vida e de arte poética.   

sexta-feira, 2 de março de 2018

JOSÉ GOMES FERREIRA : "VAI-TE, POESIA !"





JOSÉ GOMES FERREIRA  
(Parque dos Poetas, 
Oeiras, Lisboa, Portugal) 



VAI - TE, POESIA ! 



Deixa-me ver a vida
exacta e intolerável
neste planeta feito de carne humana a chorar
(...)


Vai-te, Poesia ! 


Não quero cantar. 
Quero gritar ! 



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JOSÉ GOMES FERREIRA  -  Poeta português, nascido em Porto 
no dia 9 de junho de 1900, faleceu, aos 84 anos, no dia 8 
de fevereiro de 1985, em Lisboa. Também ficcionista, cronista, 
ensaísta e tradutor, publicou mais de 35 livros.  
Em 1978 foi projetada, em Lisboa, pelo seu filho Raul Hestnes 
Ferreira, a Escola Secundária de Benfica, que, em sua homenagem, 
recebeu a denominação de Escola Secundária de José Gomes 
Ferreira.  

(Mais informações : http://pt.wikipedia.org/wiki/Jose_Gomes_Ferreira#Obra)



terça-feira, 23 de janeiro de 2018

DEOLINDO TAVARES : "Sou o maior de todos os descobridores"





DEOLINDO TAVARES 
(Nascido no Recife, em dezembro/1918, 
faleceu no Rio de Janeiro, RJ, 
aos 24 anos de idade) 




O POETA 


Sou mais pobre do que Job. 
Sou mais rico do que Salomão. 
Sou um poeta. Sou o maior de todos os descobridores. 
Sem navio, sem bússola e sem leme, 
descubro istmos e estradas. 
Posso ser amado e odiado, condenado e insultado, 
sem odiar, sem condenar, sem insultar. 
Sei tão somente amar e perdoar. 
Não tenho castelos, nem rosas, nem amores, 
mas, em misterioso sonho, 
ora passeio no carro de Salomão, 
ora durmo sobre as cinzas de Job. 
Alimento-me de céu, de flores e da beleza eterna
das paisagens de Deus;
adormeço num som, 
desperto numa cor, 
morro afogado no mar de uma inesperada estrela. 
Para mim não há, nem ontem, nem amanhã, nem depois, 
vida e morte, alegria nem dor.  
Para mim o dia é uma eternidade. 
A eternidade o menor tempo; 
para mim o tempo não existe, 
pois rasguei todos os calendários do mundo. 
Um dia, tendo as mãos límpidas, a alma serena 
e pureza em meu coração,
caminharei em firmes passos para o céu de Cristo ou de Maomé.   


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Transcrito do livro POESIAS, de Deolindo Tavares  
- Governo do Estado de Pernambuco / Secretaria de Turismo, 
Cultura e Esportes / FUNDARPE / 
CEPE - Companhia Editora de Pernambuco
( Recife, PE, 3a. edição, 1988)  

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

YEVTUSHENKO : "AUTOBIOGRAFIA PRECOCE"






AUTOBIOGRAFIA PRECOCE, 
de Yevtushenko 
(capa) 
- Editora Brasiliense, São Paulo, 
2a. edição, 1987 


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       Para os leitores ocidentais, a afirmação poderá parecer pretensiosa, mas é necessário compreender que o poeta, na Rússia, desempenha um papel diferente dos poetas de outros países.  Na língua russa, a palavra poeta é quase sinônimo de combatente. 

          Em nenhuma outra nação do mundo a poesia tem uma tradição tão ligada à política.  Não é por acaso que os russos consideraram sempre seus poetas como guias espirituais, como os "depositários da verdade". 

     Até mesmo esse sutil poeta lírico, Puchkin, escreveu apelos inflamados que constituíram verdadeiras regras revolucionárias para a juventude progressista do seu tempo.  Ainda que aquelas ideias não sejam mais novidades, aqueles apelos não envelheceram e contém muitas verdades para nossa geração.   

          Alexandre Block, esse mago da poesia intimista, esqueceu-se muitas vezes do eterno mistério da natureza que o apaixonava - a mulher - para levantar sua poderosa voz de poeta em defesa do seu povo.   

          E o grande Maiakovski, que encarnou todas essas tradições na sua gigantesca personalidade de poeta revolucionário, afirmava valer sua pena mais do que uma baioneta.   

          Na Rússia, todos os tiranos  tiveram nos poetas seus piores inimigos. Temeram Puchkin. Tremeram diante de Lermontov. Tiveram medo de Nekrasov.  

          Precisamente, Nekrasov, foi quem lançou num de seus poemas esta célebre fórmula : 


Ser poeta não é obrigação
Ser cidadão é teu dever.


          Eu me sentia encarnando os dois: poeta e cidadão.  Eis porque ansiava deixar o refúgio da poesia lírica, na qual me havia encerrado desde a morte de Stalin.  Não me sentia com o direito de cultivar o jardim japonês da poesia intimista.  Parecia-me imoral decantar a natureza, as mulheres e as dúvidas interiores, quando as pessoas à minha volta estavam esmagadas.

          O exemplo dos grandes poetas russos me provava que essa decisão não implicava nenhum sacrifício artístico.

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Texto transcrito das páginas (84 e 85) 
do livro AUTOBIOGRAFIA PRECOCE, 
de Yevtushenko, editado no Brasil, em 1987,
com tradução de Caio Fernando Abreu.   

          

sábado, 23 de setembro de 2017

YEVTUSHENKO : "O poeta tem o dever de se apresentar de coração aberto"






YEVTUSHENKO
 (Rússia, 1932 - 
Estados Unidos, 2017) 





          "A autobiografia de um poeta são seus próprios poemas. O resto é suplementar. 

          O poeta tem o dever de se apresentar aos leitores com seus sentimentos, atos e pensamentos, de coração aberto.

        Para ter o privilégio de exprimir a verdade dos outros, ele deve pagar um preço: entregar-se, impiedosamente, à sua verdade.

         Enganar lhe é vedado. Se desdobrar a sua personalidade - de um lado, o homem real e, do outro, o homem que se expressa - se tornará estéril.  É inevitável.  

          Quando Rimbaud tornou-se traficante de negros, agindo contra os seus ideais poéticos, deixou de escrever.  Foi a solução honesta.  

         Infelizmente, nem sempre é assim. Alguns se obstinam em escrever mesmo quando sua vida não coincide mais com a sua poesia. Abandonando-os, a poesia se vinga.  Mulher rancorosa, ela não perdoa a mistificação, nem mesmo as meias-verdades.  

          Diante de um espelho, que os homens digam, não quantas vezes mentiram, mas, simplesmente, quantas vezes preferiram o conforto do silêncio.   

          Sei que eles têm um álibi, com certeza, inventado por seus similares : o silêncio é de ouro.  A eles eu responderia : essa espécie de ouro não é pura. Esse silêncio é falso.  

          Isso é válido para todos os mortais, mas cem vezes mais ainda para os poetas, que devem expressar uma verdade concreta.  Quando se começa por silenciar a sua própria verdade, acaba-se inevitavelmente por silenciar sobre as verdades, sofrimentos e infelicidades dos outros."   

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 Fragmento inicial  do primeiro capítulo do livro 
AUTOBIOGRAFIA PRECOCE, de Eugênio Evtuchenko 
(Tradução de Yedda Boechat /  
 Editora Brasiliense, São Paulo, SP, 1a. edição, 1984) 
          
          
          

terça-feira, 1 de agosto de 2017

AUGUSTO DOS ANJOS : "VENCEDOR" (do livro EU)







EU (capa), 
de Augusto dos Anjos 
(Rio de Janeiro, RJ, 
1912)




Toma as espadas rútilas, guerreiro, 
E à rutilância das espadas, toma, 
A adaga de aço, o gládio de aço, e doma
Meu coração - estranho carniceiro.  


Não podes ?! Chama então presto o primeiro 
E o mais possante gladiador de Roma
E qual mais pronto, e qual mais presto assoma, 
Nenhum pôde domar o prisioneiro.    


Meu coração triunfava nas arenas. 
Veio depois um domador de hienas 
E outro mais, e, por fim, veio um atleta. 


Vieram todos por fim, uns cem, 
E não pôde domá-lo, enfim, ninguém, 
Que ninguém doma um coração de poeta !


(Engenho Pau d'Arco, Sapé - PB, 1902)


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AUGUSTO DOS ANJOS nasceu no Engenho Pau d'Arco,
 Sapé ( PB) , em abril de 1884. Estudou no Liceu Paraibano
e na Faculdade de Direito do Recife, de 1903 a 1907. 
Formado em Direito, retornou para João Pessoa (PB), 
e lecionou Literatura Brasileira em aulas particulares. 
Professor do Liceu Paraibano, com 24 anos de idade, 
muda-se para o Rio de Janeiro (RJ) em 2010.  No ano 
seguinte é nomeado professor - Geografia - no Colégio 
Pedro II.  
Publicou vários poemas em jornais e revistas da época. 
Em 1912 publicou seu único livro - EU -, mal recebido 
pela crítica e escritores contemporâneos.  
O poeta faleceu em Leopoldina (MG), acometido de uma 
pneumonia, em 1914, aos 30 anos de idade.  
O seu único livro publicado já se multiplicou em 
mais de 40 edições brasileiras.    



sábado, 1 de abril de 2017

A CRIAÇÃO DOS HOMENS, de Juareiz Correya






"A CRIAÇÃO DOS HOMENS"
(página da antologia 
"Poetas dos Palmares",
organizada por Juareiz Correya, 
 2a. edição, 1987) 





"O poeta toca as palavras, 
magia que toca as pessoas. 
Há uma multidão em sua fala. 
As palavras germinam, 
crescem, andam, ardem, crepitam 
e fenecem.  E todos os dias ressuscitam. 
Como ressuscitamos. 
Com um sopro e um sol pronunciado..."   







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Página da antologia POETAS DOS PALMARES  
(FUNDARPE - Fundação do Patrimônio Histórico e 
Artístico de Pernambuco / Fundação Casa da Cultura 
Hermilo Borba Filho - Recife,/ Palmares, 
2a. edição, 1987)