OCTAVIO PAZ (à esquerda da foto)
e o poeta Haroldo de Campos,
seu tradutor, em São Paulo, SP, 1985.
TRABALHOS DO POETA
(Fragmento)
Uma linguagem que corte o fôlego. Rasante, talhante, cortante. Um
exército de espadas. Uma linguagem de aços exatos, de relâmpagos
afiados, de esdrúxulas e agudas, incansáveis, reluzentes, metódicas
navalhas. Uma linguagem guilhotina. Uma dentadura trituradora,
que faça uma pasta dos eutuelenósvóseles. Um vento de punhais
que desgarre e desarraigue e descoalhe e desonre as famílias, os templos,
as bibliotecas, os cárceres, os bordéis, os colégios, os manicômios, as
fábricas, as academias, os pretórios, os bancos, as amizades,
as tabernas, a esperança, a revolução, a caridade, a justiça, as crenças,
os erros, as verdades, a verdade.
(Em ÁGUIA E SOL, de 1949 - 1950 /
Transcrito do livro TRANSBLANCO,
de Octavio Paz, em tradução de
Haroldo de Campos
- Editora Guanabara, Rio de Janeiro, RJ, 1986)
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OCTAVIO PAZ - Nasceu na Cidade do México (1914), capital
do México, onde faleceu (1998).
Poeta, ensaísta, tradutor e diplomata do seu País desde o ano
de 1945. Viveu nos Estados Unidos, Espanha, França,
Japão e Índia. Publicou mais de 20 livros de poesia,
e incontáveis ensaios de literatura, arte, cultura e política.
Entre outros, conquistou três grandes prêmios mundiais :
Prêmio Jerusalém (1977), Prêmio Cervantes (1981) e
Prêmio Nobel de Literatura (1990).