sábado, 2 de abril de 2016

MARIA DE LOURDES HORTAS : "A PÁTRIA DA GENTE É MESMO A NOSSA LÍNGUA"





NAVEGAÇÕES  (I)


"A minha pátria é a língua portuguesa." 
(FERNANDO PESSOA) 



A minha pátria, sim, por certo, é também aquela 
ilha caverna 
dentro de mim 
lugar onde 
é possível revisitar sempre 
o êxtase da fábula da infância  
ouvindo 
a música secreta  
dos temporais do gênese 
no perdido paraíso.   


A minha pátria é  
toda essa engrenagem de dizer  
minha casa de ser 
permanente textura 
de tudo o que penso e digo e escrevo e canto 
pelos quatro cantos da vida  
sempre com o gosto agreste das urzes e das rosas 
do mel e do pão 
da chuva e do vento 
das giestas e da serra.  


Tinhas razão, poeta  : 
a pátria da gente é mesmo a nossa Língua.  
Assim, eu mesma sou a minha Terra.    




_____________________________________________________ 
Transcrito do ebook inédito  
POESIA COMPLETA DE MARIA DE LOURDES HORTAS, 
a ser lançado, em breve, no Recife, 
na Panamerica Livraria  
(http://www.panamericalivraria.com.br   

sábado, 27 de fevereiro de 2016

ANTONIO GEDEÃO : "ESCREVO PARA ME VINGAR"





     "Poesia é uma forma de vingança. Escrevo para me vingar. Para me vingar da estupidez, da maldade, da ignorância, da fatuidade, da violência.  

     O poeta é um homem como outro qualquer, com a capacidade de fazer versos.

     Os meus poemas são mais elaborados enquanto caminho na rua. Quando estão prontos, escrevo-os, ou em pé ou sentado ou em qualquer sítio.  Não há portanto, ritual, nem na criação, nem na escrita.

     Magoa ouvir perguntar se a Poesia é uma atividade meramente lúdica. A Poesia é uma arma como uma bazuca, uma granada ou uma faca de cozinha."  



(Depoimento inédito do poeta Antonio Gedeão
 para o livro ENCONTRO COM A NOVA POESIA PORTUGUESA 
- organizado por Maria de Lourdes Hortas) 

____________________________________________
Transcrito da Revista POESIA  
 - Número 8,  Janeiro/Fevereiro 1981  - 
Nordestal Editora, Recife, PE

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

MÁRCIA MARACAJÁ : "O SILÊNCIO DA POESIA"





A poesia repousa no silêncio
Germina na angústia
E na balbúrdia dos sentidos
Brota do corpo-terra e ainda olho-d'água
Fortalece-se na fome das misérias gritantes
Embeleza-se com a nobreza das coisas
Que ignora vaidades  


A poesia não ocupa salas
Auditórios
Academias
É terra devoluta, usucapiada
Preenche almas
Empondera-se
Sem intenção
Por si só esclarece
Porque é de todo
Verdade e Essência


A poesia germina não se corrompe
Não se vende
Resiste a qualquer forma de escravidão
Chamam-lhe poema, literatura
Inventam nomes
Entretanto, como Deus,
Ela reside nos detalhes.  





(Transcrito do blog MÁRCIA MARACAJÁ  
- http://marciamaracaja.blogspot.com.br) 



domingo, 3 de janeiro de 2016

ADMMAURO GOMMES : "O POETA É UM FUNDADOR DE MUNDOS"





     "O poeta é um fundador de mundos e está sempre dando respostas, como se alguém lhe pedisse explicação dos fatos da vida.  Não como realmente são, mas como deviam ser.  Por isso, o inventor não leva muito em conta os acontecimentos reais.  Prefere criar sua própria versão, fazendo do feio bonito, do triste contente e do maldito, bendito."




______________________________________________
Tramscrito do blog PROFESSOR DE LITERATURA
- http://professordeliteratura.blogspot.com.br  

domingo, 1 de novembro de 2015

LUCIAN BLAGA : "OS POETAS"









Não se espantem. Os poetas, todos os poetas  
são um único, indiviso, ininterrupto povo. 
Falando, são mudos. Pelas eras em que nascem e morrem, 
cantando, estão a serviço de uma fala perdida há muito. 
Profundamente, através de povos que surgem e desaparecem, 
pelo caminho do coração eles sempre vêm e passam.  
Por som e palavra eles se separam e competem entre si. 
São semelhantes pelo que não dizem. 
Eles calam como o orvalho. Como o sêmen. Como uma saudade. 
Como as águas eles silenciam, caminhando sob a seara, 
e depois sob o canto dos rouxinóis, 
fonte se fazem na clareira, fonte sonora.   



(Tradução de Luciano Maia /
Caderno Cultura - Diário do Nordeste
- Fortaleza, CE - Julho de 1966)





_______________________________________________
LUCIAN BLAGA (Romênia,  1895 - 1961). 
Poeta, filósofo, ensaísta e dramaturgo. 
Traduzido em vários países da Europa.




sábado, 10 de outubro de 2015

RUBENS JARDIM : "A POESIA É UMA NECESSIDADE CONCRETA DE TODO SER HUMANO"





"A verdadeira poesia é uma viagem ao desconhecido. 
É caos e criação. Vida e morte. Verbo e substantivo. 
Espanto e descoberta. E mesmo que seja entendida 
como arma ou alma carregada de futuro, a poesia é 
a mais imponderável das criações do espírito humano. 
É fogo e fumaça. Grito e silêncio. Passatempo e sacramento. 
Solidão e intercâmbio. Caminho solitário 
que cruza com o caminho de todos. 
E todos nós percebemos, intuímos e sabemos que a poesia 
é um desafio à razão.  Talvez porque ela, poesia, 
seja efetivamente a única razão possível.  
É um paradoxo, é claro. Mas quando se trata de poesia 
é necessário estar aberto a um infindável número
 de questões complexas e absurdas.  
Afinal, como é que uma coisa que não serve para nada, 
ninguém paga aluguel com palavras e nem faz crediário 
com poemas, pode ser tão necessária e indispensável à vida humana ?" 

(RUBENS JARDIM)


______________________________________________________ 
Transcrito do site RUBENS JARDIM
(http://www.rubensjardim.com) 

domingo, 12 de julho de 2015

ESCREVO PARA SER LIDO, de Juareiz Correya








ESCREVO PARA SER LIDO 


"(...) 
Escrevo porque a poesia é necessária  
E nada mais." 

Juareiz Correya