quarta-feira, 29 de maio de 2013

VLADIMIR MAIAKOVSKI : "LEITURA DE POESIA ELEVA O GRAU DE CULTURA"




       OS OPERÁRIOS E OS CAMPONESES NÃO VOS COMPREENDEM
   

      "(...)
     
     Uma bibliotecária, lá do fundo do seu lugar, gritou, satisfeita, dando vazão ao seu ódio contra a nossa literatura :
     - Ah, ah! O que é certo é que ninguém vos lê, ninguém vos procura. Essa é que é a verdade !
     Da outra fila ouviu-se uma réplica, numa melancólica voz de baixo :
     - Se vocês os comprassem, sempre os leríamos.
     Perguntei à bibliotecária :
     - Vocês aconselham os livros aos leitores ? Explicam-lhes a necessidade da leitura, imprimem-lhes o primeiro impulso de amor pelos livros ?
     Com dignidade, mas aparentemente ofendida, a bibliotecária retorquiu :
     - Certamente que não.  Cada um escolhe livremente o livro que deseja.

     Penso que não temos qualquer necessidade de bibliotecárias deste tipo, que se limitam a registrar passivamente os livros que entram e saem.  


     Conheci uma bibliotecária... Trabalhava com o segundo turno.  Os estudantes recusavam-se a ler as minhas poesias.  A bibliotecária preparou então, com alguns dos meus poemas, uma montagem literária  sobre a Revolução de Outubro e forçou alguns jovens a decorar os versos para em seguida os declamarem. 
     Depois de os terem estudado, os jovens começaram a lê-los com prazer. E a partir de então rejeitaram as poesias mais elementares. 
     - A leitura de obras mais complexas - disse a bibliotecária - não só lhes proporcionou prazer como lhes elevou o seu grau de cultura." 



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Transcrito do livro POÉTICA (4a. edição),
de Vladimir Maiakovski 
- Tradução de Antonio Landeira e Maria Manuela Ferreira
- Global Editora, São Paulo, SP, 1984

quinta-feira, 2 de maio de 2013

ARTE POÉTICA, de Mauro Mota






Elabora o poema como
a fruta elabora os gomos,
a fruta elabora o suco,
a fruta elabora a casca,
elabora a cor e sobre-
tudo elabora a semente.     





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Transcrito da antologia MAURO MOTA : 
100 POEMAS ESCOLHIDOS, 
Organização de Luzilá Gonçalves Ferreira
 - Companhia Editora de Pernambuco - CEPE /
Secretaria da Casa Civil /
Governo de Pernambuco, Recife, PE, 2011.



sábado, 23 de março de 2013

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE : "APENAS DUAS MÃOS E O SENTIMENTO DO MUNDO"





"A Poesia é a arte que coordena as ideias e as palavras de modo a expressar o pensar e o sentir de forma bela. Fala ao coração. É o belo em forma de Linguagem.  Mas a divisão da sociedade em classes, a violência gerada pela exploração da minoria opressora, violam também a arte em todas as suas formas. Em vez de terna, a poesia se torna dura, embora não deixe de ser bela. É que o poeta tem "apenas duas mãos e o sentimento do mundo."  ( CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

sábado, 9 de março de 2013

MÁRCIA MARACAJÁ E SEU BLOG





"A poesia me protege.
A poesia é minha oração.
É meu Deus vivo."


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"Há coisas que só a poesia dá conta."


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"Abro mão de amores.
Dou espaço para a poesia..."



MÁRCIA MARACAJÁ
(http://marciamaracaja.blogspot.com.br)

 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

AMÉLIA DALOMBA : "Em toda a parte e em lugar nenhum"





Madrugada poisada na noite
Trevas e luz
Poesia 
Em toda a parte e em lugar nenhum
Poesia
Bússola nos olhos dos lábios 
Poesia 
Velho a contar as estrelas 
Poesia 
Santa imaginada nas nuvens 
Poesia 
Chuva canção no telhado 
Poesia 
Tela
Retrato 
Forma na fúria do punhal 
Poesia 
Pau e pilão
Poesia 
A melodia e a letra 
Poesia 
Punho e mão aberta 
Poesia 
Poesia
Em toda a parte e em lugar nenhum  




(Do livro NOITES DITAS À CHUVA
- Luanda, Angola, 2005)




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Transcrito da Revista ENCONTRO 
- Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, 
Recife, PE, Ano 22, No. 19, 2005)  

domingo, 13 de janeiro de 2013

Juareiz Correya : "Arte, Poeta"






"Se o poema não serve...
que o poeta então se cale !"
         (do poema Arte Poética,
           de Antonio Ramos Rosa)




Não se cale, poeta, não se cale !
O poema serve para dar nome a tudo
e tudo ficará silenciado
e inominável e morto se você se cala.
Quando os seus versos se anunciam 
multiplica-se a luz do dia 
e se anima o que todos querem e precisam. 
Assim os homens sabem que tudo pode ser dito
porque você não se cala, poeta. 
O poema serve 
para que os amigos e as amigas 
sintam que a a vida é um começo sem fim 
e enraizados na terra 
tenham no seu calor tropical
a correspondência da natureza humana. 
O poema só não serve 
para canalhas e imbecis e inocentes 
e corações sem desejos e sem assombros. 
Imemorial e inesquecível 
é a voz do poeta que não se cala. 
NÃO SE CALE, POETA,
E FALARÁ SEMPRE A HUMANIDADE !



(Santo Amaro,  Recife,
12 / janeiro / 2013)

 

domingo, 30 de dezembro de 2012

Maria de Lourdes Hortas : "A alma do poeta"




MALA


Espécie de mala 
a alma do poeta
porão onde se guarda 
tudo o que serve
para a poesia :
cartas por enviar 
labirintos de intenções 
partituras inacabadas 
vertigens inominadas 
catedrais de silêncio
mapas indecifrados 
medos, lápides 
eclipses, horizontes 
icebergues, vulcões 
sonatas de chuva 
retratos em sépia 
arquivo de auroras 
e crepúsculos 
maravilha de instantes 
tempo avulso 
que se escoa e nos leva 
na voragem da ciranda. 


O que guardo na alma 
abro na poesia  :
nela interrogo a vida 
dia após dia. 


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Transcrito do livro RUMOR DE VENTO,
de Maria de Lourdes Hortas 
- Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2009